Poetas – Compositores – Músicos – Fadistas

“E é isto que é preciso meus senhores, p’ró fadinho ser cantado com todos os matadores”

Agradeço a colaboração

de

Fernando Batista - Porto * Manuel Carvalho - Porto * Maria de Lurdes Brás * Ilídio Dias * Vilma Joaquim Perez - Santos - Brasil


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domingo, 9 de novembro de 2008

Joaquim Frederico de Brito (Britinho)

Joaquim Frederico de Brito (1894 – 1977), compositor e poeta era conhecido no meio do Fado com o diminutivo de “Britinho e também poeta-chauffer, alcunha que lhe atribuíram porque durante muitos anos foi motorista de táxi, no entanto vem a reformar-se como empregado da compa­nhia petrolífera Atlantic, onde entrou, posteriormente a ser taxista.
Aos 8 anos, leu o livro de Avelino de Sousa, «Lira do Fado», que o levou a escrever versos que o seu irmão mais velho João de Brito cantava em festas de amadores.
É facto adquirido que durante a sua vida, escreveu mais de um milhar de letras e compôs várias centenas de músicas.
Participou na opereta História do Fado, de Avelino de Sousa, com Alfredo Marceneiro e outros, can­tando versos de sua autoria.
Em 1931 edita um livro de sua autoria, “Musa ao Volante”, em que compilou todos os versos que aí tinha escrito.
Para além de grande poeta, foi também compositor, foi o autor da letra e música, Biografia do Fado, (criação de Carlos Ramos); Fado do Cauteleiro (criação de Estêvão Amarante); Janela Virada pa­ra o Mar (criação de Tristão da Silva); Não Digam ao Fado... (criações de Carlos do Carmo e Beatriz da Conceição) e Canoas do Tejo (tornado conheci­díssimo na criação de Carlos do Carmo e também cantado por Max, Beatriz da Conceição, Francisco José, Tony de Matos e muitos outros). O Fado Carmencita, na voz de Amália, também foi um dos seus sucessos, tal como Troca de Olhares e Ra­paz do Camarão; Casinha dum Pobre e Fado Corri­dinho ambos com música de Martinho d'Assun­ção; o Fado do Britinho; Fados dos Sonhos e o celebérrimo Fado da Azenha, que David Mourão­- Ferreira considerou das melhores criações da poesia popular portuguesa.
Vários compositores, entre eles Raul Ferrão, Raul Portela, Jaime Mendes e Alves Coelho (filho) escreveram músicas para letras de Frederico de Brito.
As revistas Anima-te Zé (Maria Vitória, 1934), Salsifré (Apolo, 1936), Bocage (Eden, 1937), Chu­va de Mulheres (Eden, 1938), Sol-e-Dó (Varieda­des, 1939) e Haja Saúde!, com a qual se inaugurou o Teatro ABC integraram várias composições de sua autoria.
Era muito estimado nos meios fadistas (o diminutivo Britinho reflectia aliás essa generalizada simpatia).
Poeta popu­lar, que manteve os pa­drões do Fado tradicional, sem “lamechas retrógradas”, sem de exagerado lirismo, compositores de nomeada, co­mo Ferrão, Portela e Alves Coelho, compõem para as sua letras de cunho bem fadista, e que foram cantadas no teatro, por fadistas e cançonetistas da época.
Frederico de Brito, cujo espólio actualmente continua a ser interpretado por variados artistas, pois tem ainda hoje a aceitação e o agrado do grande público.

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