Poetas – Compositores – Músicos – Fadistas

“E é isto que é preciso meus senhores, p’ró fadinho ser cantado com todos os matadores”

Agradeço a colaboração

de

Fernando Batista - Porto * Manuel Carvalho - Porto * Maria de Lurdes Brás * Vilma Joaquim Perez - Santos - Brasil

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terça-feira, 8 de abril de 2008

Tony de Matos

António Maria de Matos nasceu no Porto em 28 de Setembro de 1924.
Filho da actriz Mila Graça (Camila da Graça Rodrigues Frias) e do actor Afonso de Matos, societários da Companhia de Rafael de Oliveira (Artistas Associados), em cujo Teatro Desmontável trabalhou como ponto e começou a cantar nos actos de variedades, os designados Fim de Festa, com que terminavam muitos dos espectáculos das companhias de província (companhias itinerantes de teatro de reportório que apenas circulavam pelas províncias de Portugal, desde o século XIX e ao longo do século XX).
Em 1938, quando a companhia se encontrava instalada em Santa Comba Dão (Beira Alta), o jornal local, o Beira Dão relatou a noite de apoteose com que o jovem Tony (14 anos) deliciou a assistência com a sua voz cantando Fado de Coimbra, acompanhado por músicos amadores locais.
Em 1945, conseguiu entrar como cantor para a Emissora Nacional mas que abandonou rapidamente.
Três anos mais tarde, por intermédio do fadista Júlio Peres, surpreendeu quem o ouviu no Café Luso, em Lisboa, onde permaneceu durante dois anos.
Em 1950, o editor Manuel Simões levou-o a Madrid para gravar o seu primeiro disco.
"Cartas de Amor" torna-se um grande êxito.
Outros sucessos desta altura são "Trovador", "Ao Menos Uma Vez" e "A Lenda das Algas".
Em 1952 estreou-se no Teatro de Revista.
Em 1953 actuou pela primeira vez no Brasil.
Em São Paulo cumpriu, pelo dobro do tempo, um contrato inicial de 3 meses.
A partir de 1957 ficou no Brasil durante seis anos.
Com Maria Sidónio abriu, em Copacabana, o restaurante típico "O Fado".
Chegava a actuar em seis ou sete espectáculos diários e à noite ainda cantava na sua casa de fados.
Continuou a actuar com muito sucesso na rádio e na televisão.
Um EP com as canções "Só Nós Dois", "Procuro e Não Te Encontro", "Vendaval" e "Lado a Lado", gravado originalmente no Brasil, tornou-se um grande sucesso em 1962.
No ano seguinte decidiu regressar a Portugal.
Em 1964 encheu o Pavilhão dos Desportos e fez a sua estreia no cinema no filme "A Canção da Saudade" de Henrique Campos.
Em 3 de Abril de 1965, recebeu no Pavilhão dos Desportos o Prémio de Imprensa da Música Ligeira de 1964.
Participou no filme "Rapazes de Táxis", em 1965, realizado por Constantino Esteves onde contracenou com António Calvário.
Em 1966 concorreu ao Festival RTP da Canção com "Nada e Ninguém".
Em 8 de Fevereiro de 1969 recebeu o Prémio da Imprensa, na categoria de Fado, do ano de 1968.
Participou ainda no filme "Bonança & Companhia" em 1969.
Em 1970 participou no filme "O Destino Marca a Hora" de Henrique Campos, onde também entraram Isabel de Castro e Eugénio Salvador, onde canta temas como "O Destino Marca a Hora", "Não Digas Que Me Conheces", "Digo Adeus à Saudade" e "Viver Sem Ter Amor".
Em 1972 foi estreado em Moçambique o filme "Derrapagem" onde participou como actor e produtor.
Fez uma digressão pelos Estados Unidos em 1974.
No ano seguinte fixou aí residência ficando por lá durante 8 anos.
Fundou, em Lisboa, com os fadistas Carlos Zel e Filipe Duarte, o restaurante "Fado Menor".
Em Junho de 1985 foi convidado de Vitorino no seu espectáculo do Coliseu.
Tony de Matos grava depois o álbum "Romântico".
Em Novembro de 1985 deu um concerto em nome próprio no Coliseu dos Recreios que contou com a participação de Maria da Fé e Carlos Zel.
Participou no primeiro programa da série "Humor de Perdição", da autoria de Herman José.
No ano de 1988 foi editado o álbum "Cantor Latino" onde cantou temas de Rui Veloso, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Tozé Brito, Maria Guinot, João Gil e Rosa Lobato de Faria.
Morreu no dia 8 de Junho de 1989, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de cancro.

O concerto do Coliseu dos Recreios, realizado em Novembro de 1985, foi editado em DVD numa edição da Ovação e dos Videos RTP.

Discografia
Um artigo da revista TV-Guia, publicado logo a seguir à morte de Tony de Matos, indicava que a sua voz tinha ficado registada em 70 álbuns e mais de 100 singles. Note-se que até à década de 60 o registo mais usual era o EP com 3 a 4 canções.

Álbuns

Tony de Matos (Alvorada)
Romântico (1985)
Cantor Latino (1988)
Singles e EPs
Cartas de Amor (1950)
Nada e Ninguém (Decca)
Maldito (Decca)
A Tal (Decca)
Escândalo (Decca)
Ou Tarde Ou Cedo/Tristemente/Escândalo/E A Vida Continua]
Gente Maldosa/Tu Sabes Lá/Hás-de pagar/Não Dissemos Adeus
Senhor de Mim/Não Diga Nada/A Praia/Pergunta a Quem Quiseres (Decca)
Sabe-Se Lá/Confesso/Lisboa Antiga/Ronda Dos Bairros
[Lugar Vazio/Lisboa Casta Princesa/Procuro e Não Te Encontro/Fado da Cezária] (Alvorada)
Vendaval/Quarto Alugado/Onde Andarei Eu/Deixa-Me
Grande Prémio TV da Canção Portuguesa (Alvorada, 1964)
Oração /O Destino Marca a Hora/Não Digas Que Me Conheces/Digo Adeus à Saudade/Viver Sem Ter Amor (1970)
Eu Tão Só... (Polygram, 1979)
Compilações
O Melhor de Tony de Matos (EMI, 1992)
Melhor dos Melhores nº 22 (Movieplay, 1994)
Cartas de Amor - Caravela (EMI, 1996)
Melhor dos Melhores nº 95 (Movieplay, 1998)
Eu Tão Só... (Coração Português) (Polygram, 1998)
Fados (CD)
Vol. 1 (CD)
Vol. 2 (CD)
Clássicos da Renascença nº 38 (Movieplay, 2000)
Biografias do Fado (EMI, 2004)

Curiosidades
-Vendaval, De homem para homem, O Destino marca a hora, Só nós dois, Coitado do Zé Maria, Quarto Alugado, De Bar em Bar, A Tal, Quando Cai uma Mulher, Poema do Fim, é que Sabemos, -Hás-de Pagar, Tu Sabes Lá, Vou Trocar de Coração, Maria do Céu, são alguns dos seus maiores sucessos.
Uma das coisas que mais gostava de fazer era a recolha de repertório.
Era uma actividade diária de que não abdicava.
Pouco tempo antes de morrer revelou que tinha material para mais de três álbuns.
A sua última companheira foi a fadista Lidia Ribeiro, mãe de Teresa Guilherme.
Apesar de durante meia dúzia de anos ter sido quem mais vendeu em Portugal não obteve nenhum disco de ouro (que não existia à data).
Não tinha nenhum dos seus discos.
Não sabia quantos tinha gravado mas não conseguiria ter todos.
Tinha pena porque o seu filho deveria gostar de os possuir.
Não havia fã que lhe escrevesse que ficasse sem resposta.
Se o grande objectivo dos artistas é serem conhecidos, a popularidade torna-se muito agradável.