Poetas – Compositores – Músicos – Fadistas

“E é isto que é preciso meus senhores, p’ró fadinho ser cantado com todos os matadores”

Agradeço a colaboração

de

Fernando Batista - Porto * Manuel Carvalho - Porto * Maria de Lurdes Brás * Ilídio Dias * Vilma Joaquim Perez - Santos - Brasil


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terça-feira, 25 de março de 2008

Ana Maria

A fadista Negra

"Trago fado nos sentidos" é o CD de estreia de Ana Maria, uma fadista nascida em Luanda que canta desde os 10 anos e que agora fecha um elo entre o fado e os sabores africanos.
A "fadista negra" - como a própria cantora se apresenta - já canta profissionalmente há 28 anos, desde o tempo em que veio para Portugal com "um casal amigo", disse à Lusa.
Ainda em Luanda, com 10 anos, venceu o concurso do programa radiofónico "Chá das seis", apresentado por Alice Cruz.

Recebeu autorização especial para cantar, pois era menor, e "lições de canto, especialmente de colocação da voz, pelo maestro Casal Ribeiro", que muito a ajudaram para "ainda hoje manter a voz".
Neste CD, Ana Maria canta fados e mornas e recupera ainda o tema de Vitorino "Queda do Império".

"Há uma nostalgia que me atrai no fado e que perpassa também na morna, daí ter juntado duas canções que falam de saudade, de mar e de amor", disse a fadista.
Os fados, por escolha sua, são todos do repertório de Amália Rodrigues, com a excepção do inédito "Saudade me engana", de Fernando Araújo.

"Amália inspira-me, é para mim a maior e comecei logo a cantar os seus fados, também por influência da minha mãe, que cantava muito bem", disse.
Os fados "Fria claridade" (Pedro Homem de Mello/José Marques do Amaral), "Trago fado nos sentidos" (Amália Rodrigues/José Fontes Rocha), "Alfama" (José Carlos Ary dos Santos) e "Estranha forma de vida (A.Rodrigues/Alfredo Marceneiro) surgem ao lado das composições de B.Leza "Sôdade" e "Beijo da saudade" e da nova versão de "Queda do Império".
"Emoção, saudade e mar são os grandes elos de ligação entre todas as composições escolhidas", disse a fadista.

De uma carreira de 28 anos, Ana Maria conta "mil peripécias" na maioria ligadas à sua origem negra.

"Alguns não acreditam e brincam e já houve quem saísse dizendo que vinha para ouvir fado e não mornas, mas começando a cantar voltam, ficam e aplaudem", contou.
Para a fadista, "há traços comuns entre algumas musicalidades tradicionais africanas e o fado: um certo compasso, a importância da voz e também a temática - ausência, solidão, amor".

Ana Maria é acompanhada por Manuel Mendes (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Fernando Araújo (viola- baixo) e conta ainda com a participação especial de Fernando Araújo (vozes, percussão e orgânica) em "Queda do Império".