Poetas – Compositores – Músicos – Fadistas

“E é isto que é preciso meus senhores, p’ró fadinho ser cantado com todos os matadores”

Agradeço a colaboração

de

Fernando Batista - Porto * Manuel Carvalho - Porto * Maria de Lurdes Brás * Ilídio Dias * Vilma Joaquim Perez - Santos - Brasil


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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Tiago Torres da Silva

Tiago Torres da Silva
Nasceu em 1969 e desde 1990 divide a sua actividade entre o teatro, a escrita e a música. Nos primeiros anos da sua carreira foi assistente de encenação de João Lourenço em espectáculos como “Fernando Krapp escreveu-me esta carta” ou “As presidentes”.
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Teatro (texto e encenação)
· CASA DE FADO c/ Mª João Quadros, Ana Sofia Varela, António Vasco Moraes, Pilar Homem de Melo e Miguel Ramos (Teatro Vilarett), 2004
· NÃO DIGAS NADA c/ Fernanda Borsatti e António Jorge (T. Nacional. Dª.MariaII), 2002
· BIBI VIVE AMÁLIA c/ Bibi Ferreira (Canecão (RJ), Palace (SP), Teatro João Caetano (RJ), Teatro Guaíra (Curitiba), Teatro Rival (RJ), CCB (Lx), Teatro Baltazar Dias (Funchal) , etc), 2001
· SE NÃO FOR A MÃE DA FRENTE c/ Mª Henrique e João Didelet (Teatro Vilarett), 2001
· E SE?!... UM ESPECTÁCULO PARA CLARICE LISPECTOR c/ elenco do TEUC (Teatro de Bolso(Coimbra)), 1999
· É O MAR, ALFONSINA, É O MAR c/ José Neves (Cinearte, Comuna, Teatro do Paiol (Curitiba), Teatro da Gávea (Rio de Janeiro), Teatro do SESC Pompéia (São Paulo), Festival de teatro de Almada, Festival de Teatro da Guarda, Teatro Gil Vicente (Coimbra), 1999
· A SENHORA DO 21 c/ Lídia Franco e Florbela Queirós (CCB), 1999
· PREÇO ÚNICO c/ Mariema, Camacho Costa e.o. (Teatro ABC), 1998
· ALGUÉM ME SABE DIZER SE ESTOU VIVO? - T. Nacional Dª Maria II, 1997
· MAMÃ EU QUERO c/ Mª João Abreu e Mª da Fé e.o. (Teatro ABC, Coliseu do Porto), 1996
Espetáculos musicais (direcção)
· PÕE UM BOCADINHO MAIS ALTO de Pilar Homem de Melo, 2003
· 30 ANOS DE CARREIRA de Rita Ribeiro, 2003
· WILD CABARET de Anamar, 2003
· PORTUGAL; NÓS E O FADO de Rita Ribeiro, 2002
· NÃO QUERO SABER de Pilar Homem de Melo, 2001
· SM-58 de Anamar, Né Ladeiras e Pilar Homem de Melo, 2000
· M de Anamar – 1997
· 33 ANOS A CANTAR PORTUGAL de Tereza Tarouca, 1994
NOTA: Produziu ou co-produziu mais de uma dezena de discos tendo a sua poesia sido cantada pelas vozes de Adelaide Ferreira, Anamar, Chico César, Daniela Mercury, Dazkarieh, Elba Ramalho, Joana Amendoeira, Joanna, Lara Li, Lia Gama, Manuela Cavaco, Maria João Quadros, Mariema, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Né Ladeiras, Ney Matogrosso, Nuno da Camara Pereira, Pedro Luis e a Parede, Pilar Homem de Melo, Rita Ribeiro, Rodrigo Rodrigues, Tereza Tarouca, Tetê Espíndola, Zeca Baleiro e Zélia Duncan.
Livros (autoria)
· NÃO DIGAS NADA - Oficina do livro, 2002, (N’en parle a personne -Éditions du Laquet, 2004
· MINHA QUERIDA TELEVISÃO - Oficina do livro, 2001
· UM S A MAIS - Quetzal, 1999
· É O MAR, ALFONSINA, É O MAR - Edições TEUC, 1999
· PONTO DE PARTIDA - Edições Ledo, 1990
· TIMBÓ AS AVENTURAS DE UM PORTUGUÊS NO BRASIL - Editora SeteCaminhos, 2006
Imprensa (colaborações)
Colaborou com várias publicações, nomeadamente “Revista Máxima”, “Jornal de Letras”, “Semanário” e “Comércio do Porto”.

http://www.cancoesdotiago.blogspot.com/

O VELHO FADO -Crónica de TIAGO TORRES DA SILVA, no "Jornal de Letras "
"Não se ouve falar de outra coisa que não seja o Novo Fado , seja lá isso o que for. Todos os dias nasce uma Amália nova. Todos os dias, os jornais publicam novidades sobre a ultima nova Amália. A musica portuguesa internacionaliza-se. Pelo menos é o que dizem os jornais. Podem os Madredeus ou a Maria João dar a volta ao mundo, que isso não é grande notícia...mas basta uma destas meninas ir cantar a Badajoz para a imprensa a tratar como uma estrela internacional, não lhe dando tempo de crescer e amadurecer a sua arte, o seu canto.Ao fim de um ou dois discos, já se escrevem livros sobre estas cantoras que, na sua maioria são de grande qualidade e estão a ser vítimas de uma exploração indecente por parte da imprensa. Neste frenesim que atravessa o Fado, esquece-se uma geraçâo inteira de fadistas que, ainda no activo, ficou esmagada entre a Amália e as amaliazinhas. Uma geração que se formou longe dos protótipos e das imitações, que afirmou um Fado próprio, e que manteve o vigor das noites fadistas, onde o canto é um reduto de comunicação verdadeira...Falo da Beatriz da Conceição e da Tereza Tarouca, do João Ferreira Rosa e da Maria João Quadros, da Manuela Cavaco e da Maria da Fé, do António Pelarigo, da Tereza Siqueira, e de tantos outros que, por tuta e meia, arrancam a voz das entranhas todas as noites nos restaurantes de Alfama, nas esquinas do Campo de Santana, nos Santuários do Bairro Alto.Toda a gente diz que o fado não se aprende nem se ensina. Isso é verdade para todas as artes, mas,para todas as artes e em especial para o fado, tem de haver uma passagem de testemunho.O lugar onde hoje me apraz mais ver essa mistura de gerações fadistas a receberem e transmitirem saberes antigos, melodias esquecidas, gestos encaixilhados no tempo, é a " Mesa de Frades ", um lugar mínimo ali na rua dos Remédios, em Alfama, lugar que outrora foi uma capela onde, na mesma noite, é possível ouvir a Beatriz da Conceição que eu digo ser uma verdadeira poetisa nos novos sentidos que dá às palavras que canta com uma alma fadista como já não há, a Joana Amendoeira que é linda, canta cada vez melhor e é um coração de ouro, a Maria João Quadros onde raça e sentido musical são sinónimos, os manos Pedro e Hélder Moutinho que, no sector masculino, são do melhor que há por aí, a par do Miguel Ramos, que de vez em quando também aparece e que tem um dos timbres mais belos que já escutei no fado.Aparecem sempre uns amadores também, e se a festa está rija, fecham-se as portas e fica-se até às tantas a ouvir a Ana Maria - a unica fadista negra que conheço - que de tanta voz que tem, acaba sempre por ouvir que não devia estar a cantar num espaço tão pequeno:-"Tu tens voz é para o Coliseu !"Ali, é fado fado ! Com um ambiente onde toda a gente se conhece e onde quando chega um forasteiro, não tarda dez minutos para se sentir da família, tal é a gentileza dos donos da casa.Há quem diga que este é o Velho Fado, seja lá o que isso for ! Eu não sei o que é novo e o que é velho - sei o que é Fado, e sei que no Fado há que ser autêntico.Não é preciso ser novo...nem velho !"
TIAGO TORRES DA SILVA, in JL-Jornal de Letras,Artes e Ideias, de 30 de Março/2005
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